O retorno do preparo de solo na produção de grãos

O retorno do preparo de solo na produção de grãos

12/05/2017 18:48:59    |    Agricultura
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O retorno do preparo de solo na produção de grãos: o caso do Corn Belt

 

As técnicas de preparo de solo, desenvolvidas em clima temperado, surgiram visando acelerar o derretimento da neve para prolongar o período agricultável nas propriedades. As práticas de plantio direto também surgiram nas regiões de clima temperado e, posteriormente, propagadas e adaptadas nos trópicos.

 

Na agricultura tropical, é quase obrigatória a adoção do sistema de plantio direto, pois a condição climática e regime de chuvas torna difícil a manutenção e contenção da erosão do solo, um dos maiores problemas da agricultura tropical. Além da perda do solo, recurso natural vital à agricultura, a redução do custo de produção favorece a adoção dessa técnica.

 

Figura 1 – Vista detalhada dos órgãos ativos geral de um implemento para preparo de solo (Foto: Thiago L. Romanelli – Farm Progress Show)

 

O que seria impensável na agricultura tropical, ocorreu na região produtora de grãos do meio oeste dos Estados Unidos, chamada de “Corn Belt” ou o cinturão do milho, na qual milho e soja são as principais commodities cultivadas. A proporção de 50% milho e 50% soja observada até os anos 2000, sofreu uma drástica mudança por conta do mercado favorável ao milho após a iniciativa da produção de etanol de milho.

 

Atualmente, em algumas regiões, essa proporção é de cerca de 80% milho para 20% soja, o que impede que as rotações de milho e soja (intercalado por neve) aconteçam. Com a palhada residual da colheita do milho e a neve subsequente, não há como esse material vegetal se degradar. Assim, diferentemente do que temos nos trópicos, o preparo de solo voltou a ser empregado onde não se faz mais rotação. Com ele, o material vegetal é incorporado ao solo, que normalmente é adubado e preparado antes da neve começar a tomar conta dos campos. Isso se dá pelo degelo ajudar na desagregação dos torrões e permitindo que a semeadura ocorra assim que o degelo termine.

 

Assim, para que o preparo seja feito com a devida agilidade, implementos de grande porte e com alta exigência de potência são ofertados no mercado (Figura 1). Máquinas com quatro ou mais conjuntos de órgãos ativos são exibidas anualmente no Farm Progress Show, maior feira de máquinas da América do Norte (Figura 2), pois evitam maior número de operações, e consequentemente economizam tempo e mão-de-obra.

 

É de extrema importância que a agricultura brasileira, uma das principais no comércio internacional, tenha o seu futuro previsto, avaliando o que acontece nos principais mercados concorrentes para que possa se manter na vanguarda da produção agrícola mundial. 

 

Thiago Libório Romanelli, é professor da Esalq USP, nas áreas de mecanização agrícola, Fontes de potência, agroenergia, biocombustíveis e fluxos de energia em sistemas agrícolas.